YOGA‎ > ‎

Os 5 princípios do Yoga

 Exercício adequado: Asanas


'Shtira Sukham Asanam'  - O Asana é a postura firme e confortável
 - Patanjali, Yoga Sutra, 2:46 

 

Os Asanas são as posturas psicofísicas do Yoga e, tal como indica a citação de Patanjali, deverão ser executadas com suavidade e permanência. As posturas de Yoga devem ser realizadas com consciência e concentração na respiração profunda e ritmada, que é mais importante que a força ou o grau de elasticidade do praticante. O espírito competitivo não entra numa aula de Yoga, forçar o corpo além dos seus limites naturais com movimentos bruscos e descontrolados são o oposto do que se pretende.

 

No Yoga, o corpo é visto como o veículo da nossa consciência ou Self. Se o corpo estiver debilitado ou doente será difícil transcender para um nível de consciência mais elevado e alcançar a proposta de autoaperfeiçoamento. Para que possamos ter um corpo saudável todos os órgãos terão de funcionar perfeitamente sob o controle inteligente da mente. Para isso as posturas do Yoga trabalham não só os músculos mas também os órgãos internos, nervos e glândulas, tendo particular enfoque na coluna vertebral, uma vez que aí estão situados os plexos nervosos que comunicam com todos os sistemas do nosso corpo.

 

Na tradição de Yoga Sivananda, existem doze posturas básicas, selecionadas pelos benefícios, quer físicos quer mentais, que proporcionam ao praticante. Essas posturas, por sua vez, desdobram-se em múltiplas variantes que permitirão ao praticante evoluir de um nível principiante até ao avançado.

 

O Swami Vishnu-Devananda estruturou a prática dos Asanas numa ordem específica para que possamos retirar o máximo benefício dos mesmos. A parte física de uma aula de Yoga inicia-se com a sequência dinâmica da Saudação ao Sol, que estimula a circulação sanguínea e prepara o nosso corpo para os Asanas. Iniciamos com as posturas invertidas estimulando a irrigação sanguínea da parte superior do corpo. De seguida, temos posturas de alongamento e contracção dos diversos grupos musculares. No final da aula teremos exercícios mais intensos como musculares, em equilíbrio, e latero-flexões, em que os músculos dos flancos são simultaneamente alongados e contraídos. O relaxamento antes, durante e após a prática de Asanas é essencial, conferindo uma dinâmica de estímulo/relaxamento que tonificará o sistema nervoso parassimpático responsável pelo mecanismo “repouso e regeneração”, o que faz do Yoga um autêntico antídoto para o stress.




2º Respiração adequada (Pranayama)

"Respiração é vida. Podemos durante dias sobreviver sem comida ou água mas sem respirar apenas sobreviveríamos alguns minutos." - Sivananda Yoga Centers The Sivananda companion to Yoga

 

Todos nós compreendemos o papel capital da respiração na manutenção da vida, no entanto, prestamos pouca atenção ao processo respiratório, mantendo-o como uma função involuntária e muitas vezes deficiente.

 

No Yoga, a respiração serve três propósitos essenciais: levar mais oxigénio ao sangue (nutrindo as células), controlar a nossa energia vital (prana) e, por último, dominar a mente e as emoções. Para compreendermos esta ligação entre a respiração e o pensamento/emoção, basta observarmos que a nossa respiração, quando estamos ansiosos ou irritados, é rápida e superficial. Pelo contrário, nos períodos de repouso e bem-estar a respiração tende a ser mais suave. Assim, como o estado mental afeta a respiração, esta inevitavelmente afeta também a mente. Por essa razão, desde tempos imemoriais, que os Yogis utilizam a respiração como ponte para os estados meditativos de controle das ondas mentais.

 

Quando começamos a praticar Yoga o mecanismo respiratório torna-se consciente e progressivamente vamos aprendendo a utilizar toda a nossa capacidade pulmonar. Com enfoque na respiração abdominal/diafragmática, a respiração no Yoga deverá ser nasal e suave. Inspiramos de forma profunda, oxigenando e energizando o corpo, e prolongamos a expiração de forma a permitir a libertação do dióxido de carbono, propiciando o relaxamento; a retenção será introduzida e prolongada à medida que o praticante evolui. Embora as pessoas tenham a tendência para subvalorizar a expiração, esta tem um papel fundamental no mecanismo respiratório, uma vez que ao expirarmos completamente criamos automaticamente espaço para a entrada de ar fresco, propiciando-se, assim, uma inspiração profunda.

 

Após o praticante reaprender a respirar, conforme acima descrito, existem dois exercícios respiratórios base, são eles o Kapalabhati - expiração brusca - e o Anuloma Viloma - respiração alternada. No Kapalabhati, por meio de expirações forçadas e rápidas (expelindo ar residual), iremos purificar o nosso aparelho respiratório. Já no Anuloma Viloma respiramos alternadamente por cada narina, o que equilibra o cérebro e todo o sistema nervoso, já que cada narina está conectada com o hemisfério cerebral oposto. Ao praticarmos estes dois exercícios sentiremos uma profunda sensação de tranquilidade e revigoramento.

 

Existem outras técnicas de respiração secundárias, bem como exercícios avançados que só deverão ser praticados após algum tempo de treino e com a supervisão de um professor experiente, dado o seu impacto a nível energético e neurológico.

 

Pelo acima exposto, uma aula de Yoga clássico não poderá estar completa sem exercícios respiratórios, que na estrutura da nossa aula serão feitos no início, predispondo-nos a todos os níveis para a prática dos restantes exercícios.

 

Lembre-se: respiração é vida! Respire bem, viva melhor!





 3º Relaxamento adequado

"A consciência que se move no mundo dos sentidos mas que contudo mantém os sentidos em harmonia... encontra o descanso na quietude."

Bhagavad Gita

 

Nos dias de hoje, a nossa mente é constantemente bombardeada por estímulos. A informação dispersa chega constantemente até nós através dos sentidos, criando um ruído mental constante. O ritmo frenético da nossa rotina e a multiplicidade de funções que temos de desempenhar mantêm-nos num constante estado de alerta. Muitas vezes, até mesmo quando dormimos, a nossa mente mantém-se tensa: quem não conhece a sensação de acordar já cansado? Este estado de constante tensão suga-nos a energia vital e reduz a eficiência no desempenho das nossas funções.

 

Pelo acima exposto fica clara a necessidade de aprender ou reaprender a descontrair. O Yoga coloca à disposição um conjunto de técnicas que nos permitem relaxar: aliviando tensões, armazenando energia e restaurando a vitalidade de todos os órgãos do corpo.

 

Um relaxamento adequado deverá ser físico, mental e espiritual. Para relaxarmos o nosso corpo contraímos e descontraímos os músculos e induzimos o relaxamento de cada parte do mesmo. Para repousarmos a nossa mente concentramo-nos na respiração que deverá ser suave, profunda e constante. Por fim temos o relaxamento espiritual, em que nos desprendemos do corpo e da mente e nos entregamos ao universo e à essência do nosso ser.

 

O relaxamento efetuado no contexto de uma aula de Yoga terá um impacto superior, uma vez que após termos contraído/alongado o corpo e libertado a mente das impressões diárias, facilmente entregamo-nos a um relaxamento profundo e revigorante.

 

Uma das principais razões que leva as pessoas ao Yoga é a de adquirirem a arte do relaxamento, fortalecendo a sua capacidade de lidar com os desafios da vida



4º Alimentação adequada


Comer para viver (bem) e não viver para comer"

 

Uma alimentação equilibrada, com um balanceamento adequado dos nutrientes, é fundamental para a manutenção da nossa saúde e vitalidade.

 

A dieta yoguica é lacto-vegetariana e consiste em comidas puras, simples e naturais, que se digiram facilmente e que sejam benéficas para o nosso corpo e para a nossa mente.

 





Existem três razões fundamentais para optarmos por uma alimentação vegetariana:

  • A violência que é infligida sobre os animais;
  • O desperdício de recursos alimentares para a criação de gado para abate;
  • Os efeitos nocivos que sobretudo as carnes vermelhas têm na nossa saúde. 

No Yoga são tidos em consideração não só os efeitos orgânicos dos alimentos, mas também os seus efeitos subtis sobre a mente. Por esta razão, devem ser evitados os alimentos excessivamente estimulantes que tornam a mente instável, bem como os alimentos demasiadamente pesados que nos levam a um estado de prostração.

 

Não precisa de fazer uma alteração radical na sua dieta, mas aceite a sugestão de gradualmente ir retirando as carnes (começando pelas vermelhas), e paralelamente introduzindo uma maior porção de vegetais, sementes, frutos secos e cereais. Procure também fazer mais refeições e comer menos em cada uma delas, nunca enchendo totalmente o estômago para não sobrecarregar o organismo. Evite tabaco, bebidas alcoólicas e com cafeína/teína. Estas substâncias além de poderem ser prejudiciais para a saúde física são inimigos de uma mente estável, objetivo primordial de um yogui.



5º Meditação: pensamento positivo



"Meditação é o fluxo contínuo da perceção ou pensamento, tal como a corrente de água num rio.", Swami Vishnu-Devananda


Meditação é a prática na qual existe uma observação constante da mente. Consiste em concentrar a mente num só ponto e na descoberta da nossa natureza íntima, para lá das construções mentais.


"A mente é como um lago, cuja superfície é agitada por ondas mentais, se queremos conhecer o Ser que se encontra no fundo, primeiro teremos que abrandar essas ondas controlando a mente"; esta era uma analogia usada frequentemente por Swami Vishnu-Devananda, demonstrando que a rede de pensamentos, alimentada pelos sentidos, pelas memórias e pelos sonhos, nos veda da paz de espírito que nos religa ao nosso Ser. Existe em nós a fonte da paz, da alegria e da bem aventurança e podemos aceder a ela através da Meditação.


Meditar é mais do que uma prática isolada, é uma forma de estar na vida. Mesmo que nos sentemos para meditar todos os dias, se durante o resto do tempo deixarmos a mente deambular, alheada do presente, dificilmente conseguiremos meditar por mais que nos sentemos para o fazer. Ao longo do dia, teremos que saber distanciar-nos dos pensamentos, não nos envolvendo emocionalmente com as criações mentais. O meditador tem como principais obstáculos os seus sentimentos negativos, como o ódio ou o medo. Para se libertar deles terá que se sintonizar com os seus opostos, enchendo o coração de Amor e Coragem



.



Comments